Talita Cadeirante

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A primeira mulher cadeirante eleita em Taubaté em quase 30 anos. Lutando por inclusão, educação, direitos das mulheres e meio ambiente.

Os desafios e os direitos da mulher cadeirante em São Paulo

Eu não preciso imaginar como é ser uma mulher cadeirante em São Paulo. Eu vivo isso todos os dias, no chão da cidade.
A calçada quebrada que me obriga a descer na rua para conseguir transitar. O transporte público que, teoricamente, tem o selo de “acessível”, mas na prática diária depende puramente da sorte. E, talvez o mais cansativo: o olhar de quem acha que estou precisando de pena. Quando, na verdade, o que eu preciso é de calçada nivelada e respeito.

Ser mulher já tem seus desafios históricos. Ser cadeirante também. As duas coisas juntas? A cidade te ignora duas vezes. O capacitismo tenta nos invisibilizar, mas a nossa vivência não vai ficar quieta. Ela vira luta.
Os direitos da mulher cadeirante existem (mas precisam sair do papel).

Acessibilidade não é favor, e muito menos um projeto bonito para sair na foto. Acessibilidade é direito. É justiça.

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garante acessibilidade plena para pessoas com deficiência no país. Mas basta tentar atravessar uma rua no estado de São Paulo para ver que a lei e a realidade ainda vivem muito longe uma da outra. Essa distância não é inevitável. É uma escolha política. É onde o orçamento público vai e onde ele não vai.

Cada rampa que falta na esquina, cada banheiro inacessível em um comércio e cada ônibus que passa sem parar no ponto é violação de um direito fundamental. E a verdade dura é esta: enquanto nós, mulheres com deficiência, não estivermos dentro dos espaços de decisão, esses direitos vão continuar sendo esquecidos em alguma gaveta. Nada sobre nós, sem nós.

Por que a representatividade muda a realidade?

Eu entrei na vida pública para lembrar o que muita gente prefere esquecer. Quando uma mulher cadeirante ocupa um cargo político ou um espaço de liderança, ela não leva só a sua voz. Ela leva a experiência de quem vive no próprio corpo as barreiras que o capacitismo construiu. Barreiras que não estão no corpo: estão na estrutura. Nas decisões de quem governa. No que se escolhe priorizar quando o orçamento é distribuído.

Isso muda o nível do debate. Muda a destinação do orçamento. Muda as prioridades. Muda a cidade. O poder tem que ter a cara do povo, não a cara do privilégio.
É por isso que eu estou aqui. Minha história com a cadeira de rodas não é um relato motivacional. É um argumento político. Eu não ocupo esse espaço apesar dela: eu ocupo exatamente por causa dela. E é por isso que eu luto por inclusão, educação e direitos das mulheres dentro e fora dos espaços institucionais.

Você não está sozinha

Se você é uma mulher cadeirante ou pessoa com deficiência vivendo no estado de São Paulo e enfrenta essas barreiras invisíveis todos os dias, saiba de uma coisa: você não está sozinha. E a sua luta é legítima.
A democracia só funciona quando é, de fato, representativa. Mudar isso exige que a gente esteja presente onde as decisões são tomadas: nas câmaras, nas assembleias, nos orçamentos. E para construirmos um lugar onde cada pessoa exista com respeito e pertencimento, precisamos estar unidas.