Quando a gente fala sobre acesso à universidade, muita gente acha que a luta da pessoa com deficiência acaba no momento em que ela vê o nome na lista de aprovados. Mas a verdade é que entrar na faculdade é só o primeiro passo. O maior desafio que nós enfrentamos nas instituições de ensino superior ainda é a permanência.
Como professora e mulher cadeirante, eu conheço bem essa realidade. Ao longo do mandato, fiz questão de debater esse tema diretamente com os estudantes — seja na USP Lorena (no evento Inclui EEL), na ETEC (durante o Evento Plural) ou na UNITAU. E o diagnóstico é sempre o mesmo: a universidade ainda não sabe nos acolher com dignidade.
Acessibilidade não é apenas ter uma rampa
O capacitismo no ensino superior se manifesta nos detalhes. Ele está no laboratório que não tem bancada adaptada, na biblioteca onde as prateleiras são inacessíveis, e na falta de materiais em Braille ou Libras. Acessibilidade não é um favor ou um projeto bonito para sair na foto do saguão. É sobre garantir que o aluno com deficiência consiga se manter estudando com autonomia e respeito.
O tema que a juventude trouxe no Evento Plural da ETEC resume tudo: precisamos construir uma sociedade que entenda de uma vez por todas que as limitações estão nas barreiras, e não nas pessoas. O problema nunca foi o meu corpo, mas a estrutura que a sociedade construiu.
Nada sobre nós, sem nós
A inclusão não é sobre “deixar a gente entrar”. É sobre mudar a estrutura da sala de aula para que nós possamos disputar as oportunidades de igual para igual. E a única forma de fazer isso é ocupando os espaços políticos e educacionais, garantindo que o direito à permanência estudantil saia do papel.
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