Creche não é favor. Não é benefício. É direito constitucional. E mesmo assim, milhares de crianças em São Paulo estão fora da fila oficial — e suas mães, presas em casa sem conseguir trabalhar.
O que diz a lei
Desde a Constituição de 1988, toda criança de até 5 anos tem direito à educação infantil pública e gratuita. Isso inclui creche. O Estado tem obrigação de oferecer a vaga — não de prometer, não de tentar. De oferecer.
A realidade
A Prefeitura de SP afirma que a fila oficial de creches está zerada há seis anos. Mas os dados contam outra história.
Pesquisadores e órgãos de controle descrevem o fenômeno da “fila invisível”: crianças que não constam nas estatísticas de espera, mas cujas famílias seguem reorganizando a vida, buscando apoio informal ou adiando o retorno ao trabalho enquanto aguardam o acesso ao serviço público.
Fatores como distância entre residência e unidade escolar, incompatibilidade de horários e dificuldade de acompanhamento dos cadastros acabam excluindo parte das famílias da rede, sem que essa demanda apareça nos dados oficiais.
Quem paga o preço
As mães. Sempre as mães.
A falta de vagas causa dificuldade no desenvolvimento das crianças, prejudica o direito das mães ao trabalho e exige que recursos já escassos sejam usados para custear cuidadores ou escolas particulares.
E quando a mãe é PCD? Quando o filho é autista e precisa de uma creche que entenda as necessidades dele? A barreira dobra.
O que precisa mudar
Não basta zerar a fila no papel. Precisa zerar na vida real — com creches próximas, em horários compatíveis com quem trabalha, com estrutura para receber crianças com deficiência, com professores capacitados.
Isso é política pública. E política pública é exatamente o que eu faço.
Se você está nessa situação, me conta. Cada relato importa para construir argumentos reais dentro das casas legislativas.