Eu uso cadeira de rodas. Uso o transporte público. E sei na pele o que é chegar numa estação e encontrar elevador quebrado, rampa bloqueada ou atendente que não sabe como ajudar.
Este texto é sobre o que você tem direito — e sobre o que ainda precisa mudar.
Gratuidade: você tem direito
O Bilhete Único Especial pode ser utilizado nos ônibus da SPTrans e nos trens do Metrô, CPTM, ViaQuatro e ViaMobilidade. Para utilizar, basta aproximar o cartão do validador. Se o seu CID garantir acompanhante, aproxime o cartão uma segunda vez para liberar a entrada.
Para solicitar o benefício, acesse o site da SPTrans, faça seu cadastro e gere o relatório médico que deverá ser preenchido pelo seu médico.
Acessibilidade física: o que a lei garante
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Federal 13.146/2015) determina que o transporte público deve ser acessível. Isso inclui elevadores, rampas, sinalização tátil, espaços para cadeira de rodas e atendimento prioritário.
Na teoria, tudo isso é garantido. Na prática? Nem sempre acontece.
O que fazer quando o direito não é cumprido
Guarde prints, fotos, horários e protocolos. Quanto mais documentada estiver a situação, mais força terá a sua denúncia. Depois, acione o canal certo:
Elevador quebrado no metrô: registre pelo aplicativo do Metrô SP ou ligue para a central de atendimento.
Ônibus sem acessibilidade: acione o canal 156 da SPTrans, disponível 24 horas por dia. Se não ficar satisfeita com a resposta, acione a Ouvidoria pelo portal SP156.
Problema na CPTM: ligue para a Central de Relacionamento pelo 0800 055 0121, disponível 24 horas, todos os dias. Também é possível acionar a Ouvidoria pelo site oficial ou pelo WhatsApp (11) 99767-7030, de segunda a sexta das 5h às 21h e sábados das 6h às 18h.
Ouvidoria do Metrô SP: pelos telefones (11) 3291-2890 e (11) 3291-2891, de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 9h às 17h, ou pelo portal Fala SP.
Descaso ou mau atendimento em qualquer sistema: registre também no Procon ou nos órgãos de defesa do consumidor.
O que ainda precisa mudar
A acessibilidade no transporte público de São Paulo avançou muito nos últimos anos. Mas ainda existem estações sem elevadores funcionando, ônibus que ignoram passageiros com mobilidade reduzida e profissionais despreparados para oferecer atendimento adequado.
Isso não é acidente. É negligência.
E enquanto existir uma estação inacessível em São Paulo, o trabalho não estará concluído.